segunda-feira, 4 de julho de 2011

Este verão, queres ser sereia ou baleia?



Nesta época em que os meios de comunicação nos metem na cabeça a ideia de que apenas as magras são bonitas, prefiro desfrutar de um gelado com o meu filho e de um bom jantar com os meus amigos.



Dizem que uma mulher jovem, cujas características físicas não interessam, respondeu à pergunta publicitária nestes termos:

"Estimados Senhores:
As baleias estão sempre rodeadas de amigos (golfinhos, leões-marinhos, humanos curiosos). Têm uma vida sexual muito activa, engravidam e têm baleiazinhas ternurentas, às quais amamentam. Divertem-se à brava com os golfinhos, enchendo a barriga de camarões. Brincam e nadam, sulcando os mares, conhecendo lugares tão maravilhosos como a Patagónia, o mar de Barens ou os recifes de coral da Polinésia As baleias cantam muito bem e até gravam CD's. São impressionantes e praticamente não têm outros predadores além dos humanos. São queridas, defendidas e admiradas por quase toda a gente.
As sereias não existem. E, se existissem, fariam fila nas consultas dos psicanalistas, porque teriam um grave problema de personalidade, "mulher ou peixe?".Não têm vida sexual, porque matam os homens que delas se aproximam, além disso, por onde? Por isso, também não têm filhos. São bonitas, é verdade, mas solitárias e tristes.
Além disso, quem quereria aproximar-se de uma rapariga que cheira a peixe?



Com o tempo ganhamos peso, porque ao acumular tanta informação na cabeça, quando já não cabe, espalha-se pelo resto do corpo, por isso não estamos gordas, somos tremendamente cultas. A partir de hoje, quando vir o meu rabo no espelho, pensarei, Meu Deus, que inteligente que sou..."




Para mim está claro, quero ser baleia.

quarta-feira, 27 de abril de 2011

Renascimento...


Aproveito sempre o período da Páscoa para tirar umas férias, depois do Natal e antes do verão, sabe – me bem este interregno. Agora que tenho um filho, vem mesmo a calhar.
Este início de ano, foi-me especialmente difícil uma vez que me foi diagnosticado um melanoma maligno nas costas, mas descansem meus amigos, já cá não está.
No dia 4 de Fevereiro fui tirar um sinalzinho que me apareceu no final do verão passado, dei por ele porque me fazia comichão e decidi mostrar à minha médica de família, que em boa hora me encaminhou imediatamente para o Centro de dermatologia do Jardim Constantino. Aqui, no dia da cirurgia foi – me dito: “lamento mas é um melanoma”, no entanto temos que esperar o resultado da biopsia. Passadas 4 semanas, mais propriamente dia 3 de Março, lá fui eu saber o veredicto – Melanoma maligno in situ – quer isto dizer que sim, confirmava-se a afirmação da Sra. Doutora mas estava reduzido ao sinal e que este ao ser retirado levou a totalidade do bicho.
A médica que me operou, achou e bem que o melhor era fazer mais uma cirurgia, para termos a certeza de que nada ficava lá para se desenvolver. Marcámos então mais uma operação e mais 4 semanas de espera, no fim destas, veio o resultado negativo, no caso era positivo: Eu estava limpinha não havia nenhum vestígio de células cancerígenas.
E pronto fim de história. Esta é a parte física da minha história.
E a parte psicológica deste episódio não sei se algum dia vai acabar.
No dia em que a médica me disse que era um melanoma, foi como se me colocassem uma espada apontada à minha cabeça. Fazemos um percurso interior fantástico, quem sou eu? O que ando cá a fazer? Gosto de cá andar? Quero cá andar? Que injustiça, mas afinal isto não acontece só aos outros, porquê eu? Logo agora que tenho um filho.
E a pouco e pouco vamos respondendo a estas perguntas todas. Não, isto não acontece só aos outros, também nos acontece a nós. Gosto muito de cá andar e de mim também, se tinha dúvidas, fiquei a saber quando um sinalzinho minúsculo me incomodou e eu tratei de saber quem ele era, o que estava ali a fazer. E posso garantir-vos meus amigos que foi isso que me safou, foi o facto de me cuidar, de estar atenta aos “sinais do corpo” por isso não ignorem o vosso corpo, ele alerta-vos.
As vezes estas coisas acontecem-nos como um “abre-olhos” andamos distraídos com coisas fúteis, corremos atrás do que não é importante, e temos o que realmente importa mesmo ao nosso lado, a família e os amigos, isso sim é importante. Se este período me foi difícil, não imagino o que teria sido sem o apoio destas pessoas. Depois vem o relativizar das coisas: “O que é isso comparado com um cancro?” Pois é, afinal há questões que não merecem a nossa preocupação noite e dia, há que relativizar. Um amigo já me tinha ensinado uma expressão que eu tento utilizar, agora mais, claro, que é: “que importância é que isto tem daqui a dez anos?” Provavelmente nenhuma, então não te chateies com coisas supérfluas e sobretudo não chateies as pessoas de quem mais gostas com coisas que não tenhas a certeza que são importantes para a vossa vida.
Posto isto, aproveitei as férias para pensar quem eu queria ser daqui para a frente, que pode ser um ano, uma década, cinco décadas, quem sabe. O que eu sei é que a vida é demasiado importante e curta para ser desperdiçada com inutilidades e egoísmos.
Espero que este desabafo sirva para vos alertar de alguma forma para a vossa felicidade.
Estou a tentar ser feliz, a sério!!