quinta-feira, 29 de abril de 2010

PRÉMIOS WORLD PRESS CARTOON

CARICATURA
Grande Prémio - Gabriel Ippoliti - Argentina - PUTIN


2º Prémio - Vaclav Teichmann - Républica Checa - STEVEJOBS


3º Prémio - David Rowe - Autrália - KARZAI


EDITORIAL
1º Prémio - Angel Boligán - México - SIM NÓS PODEMOS


2º Prémio - Jarbas Domingos Lira Jr. - Brasil - DESTRUIÇÃO DE FLORESTAS


3º Prémio - Cau Gomez - Brasil - GOOGLE


HUMOR
1º Prémio - Hassan Karamizadeh - Irão - CONTROVÉRSIA


2º Prémio - Dalcio Machado - Brasil - GUERRA


3º Prémio - William Rosoanaivo - Madagáscar - PAI NATAL

segunda-feira, 12 de abril de 2010

Exposições World Press Cartoon e Leal da Câmara - Retospsctiva



À semelhança dos anos anteriores dia 16 de Abril será a entrega dos prémios do World Press Cartoon e inauguração da respectiva exposição, que poderá ser vista até 4 de Julho no Centro Olga Cadaval.
Paralelamente, este ano, temos também da nossa responsabilidade a Exposição Leal da Câmara - Retrospectiva, no Sintra Museu de Arte Moderna Colecação Berardo, com entrada livre até 31 de Outubro.



UM HUMOR REPUBLICANO, LAICO E… COSMOPOLITA
Realizar esta retrospectiva de Leal da Câmara é prestar um tributo a um dos maiores vultos da caricatura portuguesa e é também reforçar e ampliar o esforço da Casa-Museu Leal da Câmara no sentido de preservar e fazer chegar a sua obra ao grande público.

Realizar esta mostra no ano em que se comemora o centenário da implantação da República Portuguesa é também homenagear um dos seus grandes militantes, autor de imensos combates travados contra a monarquia nas páginas de D. Quixote, Os Ridículos, A Marselheza e A Corja! que o forçaram ao exílio... rumo ao sucesso internacional.

No exílio, em Madrid, colaborou, entre outras publicações, com Revues des Revues, La Vida Literária, El Mundo Cómico e com La Revista Cómica y Taurina. Em Paris, publicou trabalhos em Le Rire, Gil Blas, La Caricature, Frou-Frou, Le Cri de Paris, Le Bon Vivant, L'Assiette au Beurre, Le Sourire, Le Canard Sauvage, La Marianne e Le Barbare entre muitos outros títulos.

Do exílio, enviou desenhos para O Diabo, O Século e a Revista Nova e, simultaneamente, colaborou com as publicações brasileiras A Imprensa, Brasil-Portugal e o Tico-Tico e as belgas Le Rire Belge e Le Diable.

Regressado a Portugal, em 1915, manteve colaborações com o Miau, Os Grotescos, ABC a Rir, Seara Nova, Sempre Fixe, Diário da Tarde e Risota.

Nesta exposição, utilizámos exclusivamente obras do acervo da Casa-Museu Leal da Câmara e o humor foi o seu elo de ligação, incluindo nas pinturas seleccionadas Aqui celebramos o caricaturista, que nos desculpem o pintor, o designer, o conferencista e o professor.
Talvez influenciado por uma frase que ouvi por aí, diria que o humor de Leal da Câmara é republicano, laico e... cosmopolita.

Para este digno sucessor de Rafael Bordalo Pinheiro :
"A caricatura moderna, digna desse nome, não pretende somente fazer rir - pretende também fazer pensar".

Dito isto, gostaria que esta exposição demonstrasse, como Leal da Câmara defendia, que "Não há arte séria e não existe arte cómica. Há somente uma Arte".
ANTÓNIO ANTUNES
Comissário da Exposição

quinta-feira, 1 de abril de 2010

Ai que prazer


Ai que prazer
Não cumprir um dever,
Ter um livro para ler
E não o fazer!
Ler é maçada,
Estudar é nada.
O sol doira
Sem literatura.
O rio corre, bem ou mal,
Sem edição original.
E a brisa, essa,
De tão naturalmente matinal,
Como tem tempo não tem pressa...

Livros são papéis pintados com tinta.
Estudar é uma coisa em que está indistinta
A distinção entre nada e coisa nenhuma.

Quanto é melhor, quanto há bruma,
Esperar por D. Sebastião,
Quer venha ou não!

Grande é a poesia, a bondade e as danças...
Mas o melhor do mundo são as crianças,
Flores, música, o luar, e o sol, que peca
Só quando, em vez de criar, seca.

O mais que isto
É Jesus Cristo,
Que não sabia nada de finanças
Nem consta que tivesse biblioteca...
Fernando Pessoa

terça-feira, 9 de março de 2010

Convite



Este é um post quase pessoal.
A foto que se vê em cima é a capa do CD do meu marido.
Tem como titulo "lado a lado vida fora" e é uma compilação de temas da sua autoria. Este trabalho vai ser apresentado ao publico no dia 31 de Março,no Edifício da SPA- Sociedade Portuguesa de Autores, pelas 18 horas, onde será servido um beberete aos convidados seguido de concerto.

A musica é da responsabilidade dos seguintes artistas:
A LM BENTO BAND: Augusto Macedo (Piano/hammond), Rui Rechena (Baixo Eléctrico), Henry Sousa (bateria), Pedro Kadete (percussão), Fausto Ferreira (piano/keybords), Luisa Silva (vozes).
MÚSICOS CONVIDADOS: Nuno Reis (trompete e flugel), Tó Bravo (trombone), Paulo Fragoso (trombone).

Para não perderem este evento aqui estão as coordenadas certinhas:
Evento: Concerto LM Bento Band
O quê: Apresentação de CD “LADO A LADO VIDA FORA”
Início: Quarta-feira, 31 de Março de 2010, às 18 Horas
Fim: Quarta-feira 31 de Março de 2010 às 20 horas
Onde: Auditório Maestro Frederico Freitas – Av. Duque de Loulé, nº 31 r/c Lisboa

Conto com a vossa presença.

segunda-feira, 1 de março de 2010

AS MULHERES DA MINHA GERAÇÃO

Hoje têm quarenta e muitos anos, inclusive cinquenta e tal, e são belas, muito belas, porém também serenas, compreensivas, sensatas e sobretudo diabolicamente sedutoras, isto, apesar dos seus incipientes pés-de-galinha ou desta afectuosa celulite que capitoneia as suas coxas, mas que as fazem tão humanas, tão reais.
Formosamente reais. Quase todas, hoje, estão casadas ou divorciadas, ou divorciadas e casadas, com a intenção de não se equivocar no segundo intento, que às vezes é um modo de acercar-se do terceiro e do quarto intento. Que importa?
Outras, ainda que poucas, mantêm um pertinaz celibatarismo, protegendo-o como uma fortaleza sitiada que, de qualquer modo, de vez em quando abre as suas portas a algum visitante. Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!
Nascidas sob a era de Aquário, com influência da música dos Beatles, de Bob Dylan, de Lou Reed, do melhor cinema de Kubrick e do início do boom latino-americano, são seres excepcionais.
Herdeiras da revolução sexual da década de 60 e das correntes feministas, elas souberam combinar liberdade com coqueteria, emancipação com paixão, reivindicação com sedução.
Jamais viram no homem um inimigo, apesar de lhe cantarem algumas verdades, pois compreenderam que a sua emancipação era algo mais do que pôr o homem a lavar a louça ou a trocar o rolo do papel higiénico quando este tragicamente se acaba.
São maravilhosas e têm estilo, mesmo quando nos fazem sofrer, quando nos enganam ou nos deixam.
Usaram saias indianas aos 18 anos, enfeitaram-se com colares andinos, cobriram-se com suéteres de lã e perderam a sua parecença com Maria, a Virgem, numa noite de sexta-feira ou de sábado, depois de dançar El Raton com algum amigo que lhes falou de Kafka, de Neruda e do cinema de Bergman.
No fundo das suas mochilas traziam pacotes de rouge, livros de Simone de Beauvoir e fitas de Victor Jara, e, ao deixar-nos, quando não havia mais remédio senão deixar-nos, dedicavam-nos aquela canção, que é ao mesmo tempo um clássico do jornalismo e do despeito, que se chama "Teu amor é um jornal de ontem".
Falaram com paixão de política e quiseram mudar o mundo, beberam rum cubano e aprenderam de cor as canções de Sílvio Rodriguez e de Pablo Milanez, conhecerem os sítios arqueológicos, foram com seus namorados às praias, dormindo em barracas e deixando-se picar pelos mosquitos, porque adoravam a liberdade e, sobretudo, juraram amar-nos por toda a vida, algo que sem dúvida fizeram e que hoje continuam a fazer na sua formosa e sedutora madureza.
Souberam ser, apesar de sua beleza, rainhas bem educadas, pouco caprichosas ou egoístas. Deusas com sangue humano. O tipo de mulher que, quando lhe abrem a porta do carro para que suba, se inclina sobre o assento e, por sua vez, abre a do seu companheiro por dentro.
A que recebe um amigo que sofre às quatro da manhã, ainda que seja seu ex-noivo, porque são maravilhosas e têm estilo, ainda que nos façam sofrer, quando nos enganam, ou nos deixam, pois o seu sangue não é suficientemente gelado para não nos escutar nessa salvadora e última noite, na qual estão dispostas a servir-nos o oitavo uísque e a colocar, pela sexta vez, aquela melodia de Santana.
Por isso, para os que nascemos entre as décadas de 40 e 60, o dia da mulher é, na verdade, todos os dias do ano, cada um dos dias com suas noites e seus amanheceres, que são mais belos, como diz o bolero, quando está você.
Que belas são, por Deus, as mulheres da minha geração!

(Santiago Gambôa, escritor Colombiano)